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Ivaldo Bertazo fala de seu novo espetáculo, 'É ou Noé'


Foto: Divulgação.

Ivaldo Bertazo estréia seu novo espetáculo, o musical É ou Noé, no Tuca, em 24 de agosto. Num intervalo de ensaio, Bertazzo falou ao Limão:

'É ou Noé' é o que, então?
Um navio onde vários personagens embarcam, no saguão, na entrada do teatro. Os atores e o público passam pelo porto de embarque e os cenários vão se transformando. O tema surgiu da Adriana Falcão, que sonhava com pessoas inusitadas embarcando: Josefine Backer com sua jaguatirica, queijos, muitos gansos, uma sonâmbula modernista, cuja ama é disfarçadamente a Dona Benta, mas que na verdade é um homem querendo comê-la. O público não está banalizado, ele quer se divertir, se emocionar, não pode ficar na mesmice. Tem que ter cara de vanguarda, experiência, risco.

Como estão os ensaios?
Os ensaios estão na rota do inferno. Lembra-se de Amarcord, quando o personagem fala que vai se matar? Sou eu hoje... o mais legal é que,  quando vai se construir algo novo, nesse caso, um musical, com interpretação, canto e dança, as linguagens vão se cruzando, e o resultado final é uma surpresa.

Como é a trilha sonora? A Cèline Imbèrt participa apenas cantando?
Desde Kurt Weill, grande compositor alemão, Villa Lobos, Fagner, Chico Buarque, de A a Z, quando o público acha que vai para um caminha, bate na esquina e vai para outro panorama, não pode acomodar, tem que competir com as linguagens de hoje, da mídia. Você sabia que o teatro tem pouco público nas sextas-feiras? Pois é, o público não chega, ou chega atormentado. O meu espetáculo vai começar às 22h na sexta, para as pessoas relaxarem. A Cèline é uma duquesa, que abandona sua vida e vai em direção de um capitão do navio, ele canta popular/erudito e interpreta também.
 
Além do espetáculo, você tem algum projeto novo?
Estou inaugurando daqui a um mês a escola de teatro, na rua Vitória, naquele bairro "magoado" da Luz. Chama-se Teatro Escola da Vitória. O bacana é construir futuros comediantes, a anedota, piada e o teatro de variedades renovam o teatro. É muito importante o domínio da palavra, da linguagem, do duplo sentido, sempre com alunos da periferia, que ganham ajuda de custo. O que já foi construído, quero que os outros continuem. Eu caminhei para isso mesmo, criando mais estrutura e solidez, não dá para ficar com tantas dúvidas na terceira idade!

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